Bem-vindo e vamos lá: meta-design.
Inicialmente, seja bem-vindo a este novo blog.
Para maiores informações a respeito de sua concepção e propósitos, sugiro que acesse Sobre este blog no menu superior.
Bom, vamos lá!
Pra chegar causando, quero retomar um assunto cuja repercussão no outro blog foi deveras agitada, rendendo 133 e-mails e uma lista de discussão aberta pelo estimado Alex Ziegler.
O ensino da metodologia dentro do design.
Não posso falar de outras escolas ou instituições, visto que estudo apenas em uma, portanto quero comentários e pareceres de vocês também =]
Basicamente, o que percebo é que as metodologias, ou as diretrizes projetuais, são introduzidas de uma maneira pela qual não se faz compreendida em sua plenitude pelos alunos.
Sua apresentação é brusca, entra em choque com os trabalhos práticos que são desenvolvidos e com o as bases do conhecimento teórico, que começa a ser adquirido, mas tudo muito enevoado, além das dúvidas e pressões comuns na fase inicial do curso.
O aluno vem de um ensino médio programado, autômato, onde a criatividade é podada pela raiz. Tudo é decoreba, nada é raciocínio.
Aí então começam a surgir os primeiros cacoetes que podem durar o curso inteiro e, até mesmo, estender-se para a vida profissional do recém formado: estuda-se diferentes metodologias, propostas por diferentes autores, mas sem a profundidade necessária, aí cada etapa é executada, mas de maneira independente, sem a multidisciplinariedade da qual o design bebe, sem aproveitar o que se prendeu.
Por mais que os detalhes de cada etapa sejam visto, revistos e cobrados, muitas vezes, por exemplo, as análises são “só um capítulo que tinha que ter”, assim o aluno apenas perde tempo, não utilizando os dados e informações obtidos nesta parte tão importante do processo projetual.
Após isso, vem a frustração, tanto por parte dos professores quanto dos alunos, pois os resultados, obviamente, não atingem as expectativas.
A minha geração, em especial, tem por características a alienação e desmotivação. Falta paixão pelas coisas, falta posicionamento crítico, ímpeto.
Nesse ponto, o que proponho é uma reflexão sobre o que significa usar uma metodologia projetual, qual o benefício. Eu creio que design sem metodologia, não é design. E nem arte, porque a arte também se utiliza de processos específicos pra sua concepção.
Nesse sentido, talvez seja necessária a introdução de cadeiras como “Filosofia do Design”, onde podem ser colocadas questões como: o pensamento, os objetivos, as motivações e as responsabilidades do design na sociedade e a ética dentro desse campo, o que também é essencial. Até porque, se você está nessa só por dinheiro, meu amigo, melhor sair enquanto ainda há tempo.
É preciso ser entendido pelo aluno que a metodologia é uma guia, que pode ser alterada conforme a particularidade de cada projeto, mas que só podem ser feitas quando o aluno tiver segurança e compreender o que está fazendo, mas para isso, é mister compreender o que é “metodologia” afinal.
Design sem metodologia, não o é.
Simples assim.

Parabéns pelo blog! É interessante mesmo abordar temas como esse! Nessa semana comentei com uns colegas meus sobre uma cadeira importante que estamos passando e vemos como parece existir uma parcela de desmotivada por N coisas, incluindo a questão de metodologia e o quão metódico (até demais) tá sendo o nosso próprio ensino!
De fato, é metódico, mas acho q inicialmente para aprender é melhor seguirmos um passo-a-passo detalhado! É como se fossemos dar a liberdade de muitas escolhas para uma criança! É tanta coisa que passa na mente em tão pouco tempo que não dá pra fazer nada!
Porém, acho q através de bons livros e estudos um aluno pode fazer qualquer coisa contanto que tenha o fundamento necessário para o projeto! E nisso também entra a parte de que muitos alunos dizem amém pra tudo q o professor diz, sendo que se devia tomar todo o seu ensino como o seu norte e não o caminho certo. Dai acho que vem também o click do aluno de se informar e saber como encaixar as coisas da forma certa para que seus projetos possam fluir ao seu ritmo.
Muitas outras questões vem a mente agora, mas por enquanto é isso! :D
Beijos e vamos seguir em frente né!!
Sim mas, por algum motivo, os alunos que vão atrás de livros, atrás de conhecimento, pra poder ter esse “click”, essa pró-atividade, dá pra se contar na mão, por semestre…
Oi, Lipe! Gostei muito da iniciativa do blog, faz uns dias que ando conversando bastante sobre esse assunto da metodologia com colegas de diferentes semestres. As opiniões são bastante divergentes, há os amo/odeio, os que discordam em alguns pontos e os que nunca pararam pra pensar sobre isso (nem sobre nada).
O único método que tive contato até o momento foi o Processo Criativo do Gomes. Desde o início do semestre tento aproveitá-lo ao máximo, além de buscar em livros o significado de cada uma das etapas, além das conversas com o professor.
O que eu percebo em muitos casos é que, em sua maioria, os alunos de Desenho Industrial estão ali por possuírem, cada um à sua maneira, um impulso para criar coisas, uma vontade de colocar a mão na massa e depois sair mostrando o trabalho pra tudo mundo. E isso é ótimo, já mostra que o nosso ideal de vida não é ficar sentado atrás de uma mesa de escritório carimbando papéis. O grande problema é quando esses mesmos alunos rejeitam a metodologia, alegando que a mesma “prende” sua criatividade, quando na verdade tudo o que ela faz é direcionar o pensamento e os esforços criativos para a verdadeira essência do Desenho Industrial: solucionar o problema!
Pouquíssimos alunos vão atrás de livros que os interesse, buscam sua informação; não é incomum ver uma turma dependente do professor, como se ele fosse o detentor da verdade absoluta. Eu não tenho dúvidas sobre a sabedoria dos meus professores (tenho verdadeira admiração por alguns em particular), mas eles estão ali para nos auxiliar na busca dos nossos interesses e qualificação profissional, não pra nos fazer uma lavagem cerebral. E esse é o pensamento que muitos tem, pois seu conhecimento é apenas o que é apresentado em aula; logo, acham que o professor é um egocêntrico que só vai aprovar quem pensar igualzinho a ele.
Eu poderia falar bem mais (huahuahua), mas vou finalizar por aqui. Gosto da ideia de uma cadeira sobre a filosofia da profissão logo no início do curso, assim como acharia interessante haver matérias onde fossem ensinadas técnicas básicas sobre os elementos que trabalhamos em nossos projetos, como cores, tipografia, tipos de papéis, materiais, etc. Acredito que possuindo esse conhecimento logo no início do curso, a maioria dos Projetos apresentaria uma melhor qualidade estética nos semestres seguintes.
Independente disso, os alunos tem que ir atrás do que os interessa e serem mais ambiciosos!
Genial, Rafa, genial!
Na verdade essas cadeiras mais específicas existem, sobre tipos, materiais e etc. O problema é que são dadas bem mais adiante no curso. Concordo em gênero, número e grau quando colocas a importância delas serem apresentadas no início do curso, que além de embasarem melhor os trabalhos das cadeiras de projeto, ajudam o aluno a compreender melhor o que é, na verdade, esse tal “design”.
Tua iniciativa de conversar com os colegas sobre o assunto é admirável e um exemplo a ser seguido!
Mas fica a dúvida, porque diabos o pessoal não vai atrás das coisas, não tem interesse, pró-atividade, ambição?
Lembre-se que entre os inúmeros casos de alunos numa faculdade particular (a maioria deles, casos negativos) também estamos tratando “da massa”. A massa não toma atitudes e espera que alguém pense por ela, e tem medo de agir por si só, preferindo que alguém comece algo, e dependendo dos resultados, a massa segue esse alguém de forma igual como se fosse “a receita da massa”.
O problema pode estar nas bases de ensino da faculdade tanto quanto nas bases de ensino do colégio, pq não, neh? Quantas vezes eu e tu inclusive falavamos com a Ana Cristina sobre as provas de literatura da ufrgs, lembra?
Nos acostumamos a ter sempre o mesmo caminho a percorrer, estudar e utilizar o cérebro de forma super direcionada. Quem concordava com as respostas da ufrgs sobre questões de livros como Machado de Assis?
Só existia uma resposta pra uma obra tão complexa e genial. Acho que isso também ajuda nessa falta de proatividade. Por mais que a faculdade de design tenha a idéia de interação e de debates frequentes, o que vemos é o seguimento do ensino do colégio sendo colocado a risca não pelo professor mas pelos alunos. O pessoal além de ter medo de errar também pensa que a princípio se tem uma verdade a seguir, que é a verdade daquele ser na frente do quadro discursando. E como ninguém quer fazer algo errado, todos querem tomar o caminho “mais correto”, já que o professor já nos encaminhou, e conforme o tempo passa, muitos pendem para o caminho fácil por n motivos e dai o pessoal costuma não se aventurar tanto em outros livros e métodos.
Realmente!
Mas então, o que podemos fazer?
Alguns acreditam que não podemos ou devemos fazer nada.
Eu não penso assim. Eu acredito nas pessoas, acredito na sociedade, acredito numa cidade, estado e países melhores. Mas para que mudanças ocorram, é preciso o debate e a ação.
Mudar o ensino fundamental e médio vai contra os interesses do sistema em que vivemos. E pode, além de ser bem difícil, demorar anos.
Acho que a resposta está na faculdade. Apesar dos pesares, é um contexto propício para as mudanças, reflexão e atitudes positivas e decisivas.
Acho que, assim como a Rafa fez, devemos trazer essas questões às nossas conversas do cotidiano.
Creio ser um ótimo começo!
Felipe, iniciativas como a tua merecem total apoio!
Que tu consigas fazer deste, um canal ativo de discussão das tuas idéias (que também são comuns a muitas outras cabeças pensantes)
Sobre a questão do ensino da metodologia podemos notar que além desta apresentação brusca que comentaste, também há outros fatores que fazem alguns terem arrepios quando escutam quando escutam a palavra método:
1. Sempre fomos apresentados à criatividade como um fenômeno quase mágico onde as idéias geniais aparecem de repente e damos um valor imenso a isto;
2. Muitos entendem o método como uma receita e receita gera sempre o mesmo resultado. De modo geral o nosso trabalho é atribuido ao fazer diferente. Logo, pra que método?
Não temos cultura da profissão. Poucos tem referências inclusive na família de profissionais da área. Sofremos de falta de identidade e desunião como classe. Acreditamos no poder que o conhecimento tem para mudar isto!
Esperaremos mais posts seus!
Lipe,
Eu concordo com a Mah que as coisas tem que ser mudadas no ensino de base, mas eu concordo contigo que isso iria demorar muito, e não dá pra esperar tanto assim. Só que tem outra coisa, pessoas como tu, que são pró-ativas, que buscam o conhecimento, não são comuns.
Acho que um dos problemas do ensino de metodologia (na ritter pelo menos) é que elas não são bem compreendidas. Em introdução ao projeto o professor te passa uma metodologia, mal explicada, e diz que tu tem que usar aquilo. Mas me diz, como que tu vai querer que uma pessoa entenda algo como taxonomia de produto, quando o loco te chega com um troço e te diz pra classificar mesa de jantar por reino e filo??
Eu só fui entender metodologia de projeto quando comecei a fazer a pesquisa com o Júlio. Só me interessei pelo assunto – e comecei a ver propósito naquilo – quando eu conheci outras metodologias, e técnicas que eu pudesse aplicar.
Acho que no começo tu precisa usar os métodos, mesmo que de uma maneira meio “decoreba”, pra pegar a prática, pra conhecer bem as metodologias que existem, pra mais tarde escolher quais delas tu realmente te identifica e se sente a vontade usando.
Só que o problema é que, como os professores (como todo mundo) tem as suas metodologias favoritas, eles acabam nos apresentando só aquelas, e mesmo assim, meio por cima.
Não sei mais qual linha de raciocínio seguir, as vezes eu penso que o van der Linden tinha razão quando dizia que eu era muito parecida com ele (medo). Enfim, não sei se eu entendi o que tu e as outras pessoas falaram, e se consegui responder, mas eu realmente espero que sim.
Beijos!
Somos capazes de fazer qualquer coisa desde que alguns fatores sejam favoráveis um deles acredito que seja as condições ambientais, infelizmente o ensino privado e talvez nem o público consigam criar um ambiente que potencialize o dialogo.
É tudo muito fastfood, demora tempo para as pessoas se desprenderem dos seus receios e medos e começarem a interagir de maneira a construir conhecimento coletivamente.
Infelizmente a preocupação pela construção destes espaços é mais dos estudantes que da instituição, fica muito mais a cargo daqueles estudantes inquietos que resolvem no seu circulo de amizade estabelecer essa discussão.
Acredito que a pergunta que poderia ser feita e como criar um ambiente onde aqueles estudantes possam debater e se integrar.
A partir da criação de um espaço que realmente tenha a adesão dos estudantes o resto como o debate, as discussões e as ações fluiriam naturalmente.
Talvez fosse preciso um momento para não fazer nada o “ócio criativo” um espaço e um tempo onde não se faz nada além de conversar sobre o que fazer.
É, concordo com o Rafa, o ambiente não colabora.
O consenso é então a inércia dos alunos, a necessidade de se quebrar o paradigma que o ensino médio e fundamental criam, e até mesmo a própria sociedade até.
Para isso, como o Rafa coloca, precisa-se de um ambiente favorável.
Mas como conciliar isso com as cadeiras e o trabalho?
De que forma isso poderia ser estruturado?
Já que, para muitos, o trabalho é uma necessidade para pagar a própria universidade…
Quando essa interação poderia acontecer, já que não vivemos num mundo ideal onde poderíamos nos dedicar exclusivamente à faculdade?
Essa iniciativa tem espaço na semana acadêmica? Não sei se teria mas é um bom começo pro assunto. É na SA que vemos um filtro de alunos que querem muito aprender e falar sobre tudo o que entendem e querem entender.
Seria um bom momento para plantar a semente dessa questão.
Na verdade, eu tava pensando até em fazer uma repentina, tipo, pegar um dia, passar sala por sala, com a ajuda de algumas pessoas convidando pra um debate aberto… mas não sei se tería apoio da coordenação… poderia atrapalhar aulas e tal…
Claro que isso dentro da questão UniRitter, que é a nossa realidade, ou foi…
Mas também acredito que a discussão é válida e necessária em outras instituições.
Isso pede um evento! (Grandes ambições)
Olha, acho que poderíamos ter uma cadeira de Trabalho Social! Nossa faculdade é no meio de uma p* vila e a gente não faz nada com isso? Não ajudamos a encontrar formas de melhorar a vida das pessoas que estão ao nosso redor?
Acho que tendo uma cadeira focada nisso entenderemos muito bem a função social da nossa profissão. O que poderia ser mesclado com uma cadeira de Filosofia do Design.
é hoje!
Cara, fico surpreso e meio triste ao ler seu texto.
Me deparo com uma realidade muito maior. O ponto levantado no seu texto, a questão da metodologia, da forma como é o ensino de Design e toda as questões sub-sequentes (formação dos professores, as grades curriculares, e etc etc), é algo maior.
Encaro essa realidade na minha faculdade, estudo na Estadual da Bahia e sem conhecer o cenário como todo, achamos que só nós enfrentamos certas questões. Percebo aqui que o buraco é mais embaixo.
Creio que o problema da “didatica” do Design no Brasil seja na forma, no todo. Ou seja, na maneira como foi adotada e não adaptado, deixando essa lacuna no ensino.
Algo que aprende com um grande professor (@eliasbitencourt) é que não adianta pegar algo que foi pensado para uma área/região/país, simplismente adotar e não rearrumar segunda nossas necessidades e é isso que acontece. Não temos um design brasileiro, uma forma academica de ensinar, de nos fazer enxergar o que fazemos e nos apontar o que devemos fazer.
É triste,mas ao mesmo tempo promissor, se tivermos cada vez mais pessoas com essa forma de pensar, um senso critico e o olho aberto, ai quem sabe conseguiremos algo, alguma mudança.
Abs
(@tupini_kim)