Palestra com Charles Bezerra sobre Inovação, Utopia do Design e Motivação.
Acabo de chegar de uma palestra na Unissinos, em Porto Alegre, com Charles Bezerra, um cientista da inovação, um gênio! Ele é autor de “O Designer Humilde – Lógica e ética para a inovação”, livro que considero LEITURA BÁSICA para qualquer estudante e profissional do design, e seu mais atual lançamento: “A Máquina de Inovação – Mentes e Organizações na Luta por Diferenciação”, que acabei de comprar!
Na palestra, Charles falou de muitas coisas importantes e interessantes. Contudo, antes de entrar no mérito das questões abordadas, preciso comentar a forma como ele expõe suas idéias. Ele motiva o ouvinte. E não precisa gritar, não precisa gesticular, não precisa ser arrogante para isso. Ele simplesmente fala o que pensa, guia o pensamento do ouvinte através de lógica simples e clara, conforme colocou a @sahrosa, amiga que juntamente com a @ivnita , acompanharam comigo e demais colegas a palestra. O que ele diz, faz sentido. E mais do que isso, ele acredita no que fala e faz.
Aproveitando o gancho sobre acreditar no que se faz, voltei conversando com as duas colegas que citei, sobre essa questão.
Recordei de uma frase do Enzo Mari, designer italiano, que vi em aula , que, em suma, colocava que o design tinha uma natureza utópica, pois ele é voltado à sociedade, com um espírito socialista que visa o bem comum, mas está à mercê da indústria e do mercado que visam o lucro. Em comentários na aula, ainda foi colocado que o design de hoje tinha por utopia a “sustentabilidade”, que essa é o novo “socialismo”.
Me questiono: será mesmo?
Se continuarmos pensando, dizendo e acreditando que o bem comum, a visão social, a visão sustentável no design são utopias, um dia elas deixarão de o ser?
Dizer que algo é utópico, logo, que não vai se concretizar, à alunos que já sofrem uma série crise de motivação e falta de paixão pelo que fazem, herdadas de um sistema de ensino limitador e assassino da criatividade, não mata a motivação e paixão que lhes resta?
Ter motivação, ser apaixonado pelo que se faz, é imprescindível se quisermos melhorar alguma coisa, seja ela qual for. Ser apaixonado pelo que se faz é assumir risco, é estar disposto a se arriscar pelas idéias e ideais em que se acredita, e que se tem esperança que venham a se concretizar.
Se hoje formam-se profissionais inseguros, micreiros com diploma, que apenas aceitam ordens, sem questionar ou tentar fazer cada vez melhor, é porque lhes foi tirada a motivação que um dia tiveram. E tiveram. Todos, alguma vez, já fomos apaixonados, já tivemos esperança, já pensamos que podíamos mudar o mundo. E o que aconteceu? Desistimos? Nos conformamos? Por que?
Foi essa visão segmentada, cartesiana, que visa a especialização cada vez mais profunda sem ver o todo, sem ver como as partes interagem, sem criatividade, que nos matou, que matou os nossos sonhos?
Charles comentou que para termos empresas inovadoras, produtos inovadores, idéias inovadoras, precisamos, primeiro, ter profissionais com uma mentalidade voltada para a inovação. São poucos os que ainda ousam se questionar sobre as coisas. E esses ainda são taxados de rebeldes, birrentos, cismados. Como reverter a atrofia causada pelo sistema educacional vigente? Como articular ou introduzir o conceito de inovação no nosso local de trabalho e estudo?
Vale a pena esclarecer que “inovação”, aqui, não é o mero e superficial novo, novidade, modismo. Inovação é se repensar o que se faz ou se tem, de maneira a melhorá-lo cada vez mais. Aumentar sua eficiência, descobrir novas possibilidades, integrações, conexões. Ver o todo. E para isso é preciso, também, saber Muito de Tudo. Ter curiosidade, questionar, buscar entender o porquê das coisas.
Me despeço por aqui, deixando muitas perguntas sem resposta, de presente para você! E claro, a recomendação de leitura do “O Designer Humilde”.
E como lembrou Bezerra na palestra: ”É um milagre que a curiosidade sobreviva ao ensino formal” já dizia Albert Einstein.
Abraço e obrigado pela atenção!
Felipe Barcellos.
Alguns posts do Charles Bezerra no Webinsider, antigos mas atuais, como tudo o que é realmente bom: http://webinsider.uol.com.br/index.php/author/charles_bezerra/

Tchê, eu realmente gosto dos teus textos. Fica uma crítica a frequência – tinhas que escrever mais – e, logicamente, botar uma risada gravada em áudio no final do texto.
Opa! Obrigado! Tentaremos hehe Já a risada acho que não vai rolar huahuahu
eu sou a favor da risada gravada no fim do texto. _o/
(o comentário inútil pq não li ainda, mas lerei) XD
Enzo Mari – Designer italiano
o autor da frase que tu não recordou.
Abraço
Obrigado! O Caetano me recordou por e-mail também! hehe